As origens do consumo do leite cru na Península Ibérica e no território português: Arqueogenética e Zooarqueologia
DOI:
https://doi.org/10.51679/ophiussa.2025.193Palavras-chave:
Gado, Caprinos, Migração, Persistência da Lactase, YamnayaResumo
Na Europa, a tolerância à lactose após o desmame (persistência da lactase – LP) depende de uma única mutação no gene MCM6. O tempo e o modo de emergência do consumo de leite cru em território português não foram investigados, apesar da sua importância na dieta e na cultura culinária portuguesas.
Para identificar a ocorrência mais antiga da mutação causativa da LP, utilizámos o Allen Ancient DNA Resource para investigar os dados de ADN antigo (aDNA) para este locus em indivíduos ibéricos, do Paleolítico à Idade Moderna. A partir de fontes bibliográficas, revimos dados zooarqueológicos sobre espécies produtoras de leite domesticadas.
Na Península Ibérica, a ocorrência mais antiga de LP ocorre em um indivíduo do início da Idade do Bronze. Este também apresentava o haplogrupo R1b do cromossoma Y, tipicamente associado ao hipotético movimento de pessoas associadas à cultura Yamnaya durante este período. Em Portugal, o primeiro indivíduo com LP data do Período Romano. Os dados zooarqueológicos sugerem que o leite era consumido em pequenas quantidades em Portugal até ao Período Romano. A produção de leite aumentou mais significativamente durante a Idade Média, mas o impacto desse aumento na LP ainda está por determinar.
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